A sus invitados, ya que soy su “empleado junior”

Sem documentos e com aparência de morador de rua, quase lhe negaram a entrada. Mas havia algo no olhar dele — firme, apesar do cansaço — que fez com que o deixassem passar.

Rafael sentou-se na última fileira, escondido nas sombras, enquanto a Almirante Helena Duarte discursava sobre honra, sacrifício e serviço à pátria.

Chegou o momento da tradição.

A Almirante chamou Caio Colares ao palco e se virou para a plateia:

— Existe algum combatente das forças especiais presente que gostaria de colocar este tridente?

O auditório ficou em silêncio.

Caio não tinha ninguém ali. Sua mãe havia falecido anos antes, e ele acreditava estar sozinho naquele momento. Então, do fundo escuro do salão, uma mão cheia de cicatrizes se ergueu lentamente.

Caio olhou.

Seu rosto empalideceu. Os olhos se encheram de lágrimas.

E ele disse, alto o suficiente para que todos ouvissem:

— Almirante… meu pai está aqui.

A Almirante desceu do palco e caminhou pelo corredor central até parar diante do homem em roupas gastas. Viu a sujeira, o desgaste, a dor marcada no corpo. Mas então viu a tatuagem no antebraço.

Seu rosto perdeu a cor. Ela levou a mão à boca.

— Fantasma… — sussurrou, sem acreditar.

Rafael assentiu lentamente.