O sol se punha sobre a Base Naval de Aratu, na Bahia, quando dois seguranças bloquearam a entrada do auditório de formatura. O homem diante deles vestia uma jaqueta rasgada, com cheiro de maresia e poeira de concreto. As mãos, marcadas por cicatrizes antigas e calos grossos, tremiam enquanto ele segurava um convite amassado.
Um dos seguranças franziu o nariz. O outro levou a mão ao rádio. Mas, antes que qualquer palavra fosse dita, a manga do homem escorregou um pouco, revelando algo que mudaria tudo: um conjunto de coordenadas, um tridente desbotado e um nome que todo combatente das forças especiais da Marinha ali conhecia — sussurrado como uma lenda que poucos acreditavam ser real.
Rafael Colares não dormia em uma cama havia seis anos. Um dia, ele foi o Suboficial-Mor Rafael Colares, codinome “Fantasma”, uma lenda do GRUMEC. Mas o transtorno pós-traumático e a culpa por ter perdido seu melhor amigo em missão o empurraram para as ruas. Convencido de que seu filho estaria melhor sem um pai quebrado, Rafael desapareceu do mundo que conhecia.
Até que um panfleto amassado mudou tudo: seu filho estava prestes a se formar nas forças especiais da Marinha.
Rafael caminhou quase 70 quilômetros, de cidade em cidade, apenas para ver o filho de longe. Mas na entrada, os seguranças o barraram.
— Senhor, o senhor tem um documento com foto? — perguntou Lucas, um dos seguranças.
— Aqui diz convidado de Caio Colares — respondeu Rafael, estendendo o papel. — Ele é meu filho.
A sus invitados, ya que soy su “empleado junior”