As mãos de Maya apertaram a pasta fina que segurava. Dentro dela estavam suas anotações, cronogramas, cópias dos registros de acesso que ela havia conseguido com dificuldade de um segurança e perguntas manuscritas que preparara durante toda a noite. Ela caminhou lentamente em direção à bancada do juiz. “Meritíssimo”, disse ela, com a voz agora mais baixa, mas ainda firme, “eu trouxe provas. Se o senhor se desse ao trabalho de analisá-las, veria que meu pai não…”
De repente, a juíza se apressou, derrubando a pasta de suas mãos. Os papéis voaram em todas as direções, deslizando pelo chão liso e se espalhando como folhas de outono. Maya ofegou e deu um passo para trás, com o calcanhar escorregando de um lado. Ela cambaleou, agitando os braços para manter o equilíbrio. Por um instante, pensou que cairia na frente de todos. Conseguiu se manter de pé, mas foi por pouco.
“Nunca mais se aproxime daquela mesa”, disse o juiz friamente. “Você não é advogado. Você não faz parte deste caso e eu não vou adverti-lo novamente.” Marcus levantou-se imediatamente. “Ei, você não pode empurrá-la assim! Ela é só uma criança!” “Sente-se!” gritou o oficial de justiça. Mesmo assim, Marcus deu um passo em direção à filha, em direção aos papéis espalhados pelo chão. “Oficial de justiça”, disse o juiz bruscamente, “segure-o.”
Embora Marcus já estivesse algemado, o policial agarrou seu braço com força e o empurrou para trás. Marcus perdeu o equilíbrio e bateu com violência na borda da mesa de defesa antes de desabar na cadeira. O impacto lhe tirou o fôlego e uma dor aguda percorreu suas costelas. Um gemido baixo escapou de seus lábios. “Papai!”, gritou Maya, começando a correr em sua direção. “Nem mais um passo”, advertiu o oficial de justiça.
Marcus tentou se endireitar, respirando com dificuldade, o rosto pálido de dor. “Estou bem”, disse ele, embora todos pudessem ver que era mentira. O juiz olhou para ele sem nenhuma compaixão. “Sr. Johnson”, começou ele, “deixe-me explicar de forma bem simples. A promotoria tem registros de acesso que podem localizá-lo na sala de arquivos segura. Os arquivos desapareceram. O senhor era o único faxineiro neste andar naquela noite. Não é complicado.”
“Eu não roubei nada”, disse Marcus, com a voz trêmula. “Juro por Deus, não peguei nada. Trabalho neste prédio há 22 anos. Por que eu jogaria minha vida fora por uma coisa dessas?” O promotor se levantou e ajeitou seu terno caro. “Meritíssimo, o réu tinha acesso, oportunidade e ninguém para supervisioná-lo. As provas são muito claras.”
“Não, não estão!” gritou Marcus, desesperado. “Estão todos errados. Eu consertei uma lâmpada no décimo andar às 9h30. Tem que haver uma ordem de serviço para isso. Verifiquem os registros de manutenção. Verifiquem as câmeras no corredor. Eu nem estava naquela sala de arquivos.” A expressão do juiz endureceu. “Sr. Johnson, leve este conselho a sério: aceite o acordo. Admita que pegou os arquivos, diga que foi um engano, e talvez saia em alguns anos. Continue mentindo, desperdiçando o tempo deste tribunal, e eu lhe garanto que passará o resto da vida na prisão.”