Nadie en la casa hablaba en voz alta.

Ele apontou para a parede.

O relógio antigo.

Aquele que estivera ali… por toda a sua vida.

Seus lábios tremeram.

—Você… você…

Camila sentiu como se sua alma estivesse deixando seu peito.

“Sim…” ela sussurrou, chorando. “É o relógio… está fazendo tic-tac…”

Mateo levou a mão à orelha.

Em seguida, em direção à sua garganta.

Sentindo a vibração.

E então…

Ele pronunciou sua primeira palavra completa.

“Se…se.”

Dom Ernesto caiu de joelhos.

Literalmente.

Como se o chão lhe tivesse sido tirado.

Seus olhos se encheram de lágrimas.

—O que… você disse?

Mateo olhou para ele.

E ela sorriu.

Um sorriso sem jeito.

Lindo.

-Pai…

O homem desabou.

Oito anos de espera por isso.

Oito anos de silêncio.

E então… lá estava.

Real.

Vivo.

Seu filho… falando com ele.

Mas o momento não durou muito.

Não totalmente.

Porque Dom Ernesto baixou os olhos.

Nas mãos de Camila.

O sangue.

O objeto escuro.

O instrumento.

O medo voltou… como um golpe.

“O que você fez?” A voz dela endureceu novamente. “O que você fez com o meu filho?”

Antes que Camila pudesse responder…

“Segurança!” ele gritou.

Dois homens entraram correndo.

—Tirem-na daqui.

“Não!” gritou Mateo.

E aquele grito…

Encheu a casa inteira.

Forte.

Claro.

Doloroso.

“Não a toquem!” ela gritou. “Ela me ajudou!”

Mas já era tarde demais.

Levaram Camila embora.

Ela não resistiu.

Ele apenas olhou para a criança.

E ela moveu os lábios:

Vai ficar tudo bem.

Horas depois…

o hospital.

Luzes brancas.

Passos rápidos.

Médicos examinando.

Máquinas.

Questões.

Evidências.

E o resultado…

Impossível ignorar.

—Seu filho… consegue ouvir.

Dom Ernesto não reagiu.

Não imediatamente.

“Como?”, perguntou ele finalmente.

O médico hesitou.

Então ele tirou uma pasta.

—Isto… é de anos atrás.

Ele abriu.

Ele apontou para uma parte.

—Aqui… foi relatada uma obstrução no canal auditivo direito. Recomendou-se a extração imediata.

O mundo de Dom Ernesto desmoronou.

-…que?

—Não há registro de que o procedimento tenha sido realizado.

Silêncio.

Pesado.

Frio.

—Você está dizendo… que eles já sabiam?

O médico não respondeu.

Não era necessário.